domingo, 5 de fevereiro de 2012

Chute na bunda das memórias vagabundas

Quero dizer adeus
Ao passado que magoa
À mágoa que entristece
À tristeza que devora

Bye bye!!
Lembranças lamuriosas
Lamúrias inquietantes
Inquietações inertes

Au revoir!!
Erros que continuarão errados
Dizeres que continuarão ditos
Silêncios que continuarão calados

Despeço-me das aflições passadas...
Hoje
E todos os amanhãs quando forem hoje
Enfrentarei as tristezas de cada dia

Se a vida tem pressa,
Também tem mais sabor
Quando é a alegria que interessa.

Denise Viana * Psico-Poeta

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um empático diálogo sobre Felicidade...

 -"Qual o segredo da felicidade Denise?"
-"Não sei!"
-"Mas você me parece sempre tão feliz!"
-"Pareço é?"
-"Sim!"
-"Talvez é porque eu já aceitei que a felicidade são só momentos."
-"Então o segredo é aceitar que a felicidade é passageira?"
-"Não há segredo. Cada um vai encontrar a melhor forma de ser feliz na vida, uns sorrindo, outros emburrados, mas acredite, tem gente que é feliz mesmo quando só parece ser."
-"Ah, agora ficou difícil saber se você é realmente feliz ou finge ser, como aqueles que aparentam ser tristes mas na verdade são felizes por isso..." (risos)
-"Não se preocupe com isso, se é 'verdade' ou não, as probabilidades de acerto são tão confusas quanto as de erro, você não acha?"
-"Faz sentido. Mas porque você me parece está sempre feliz?"
-"Primeiro porque você não convive diariamente comigo (risos), segundo porque eu nunca perco a esperança de que mesmo que um momento de felicidade tenha se confrontado com dificuldades e barreiras diversas, que ofuscam os momentos de alegria, logo em breve, e esse breve não é cronológico, novas felicidade virão."
-"A esperança é o segredo!!"
-"Bem, me parece que a sua forma de buscar a felicidade é encontrar de algum modo uma ´'fórmula', uma 'receita' para ser feliz."
-"É... Gosto de ter um roteiro, de saber se estou indo pelo caminho certo."
-"E você acredita que é possível?"
-"Se é possível que haja um caminho certo?"
-"Não. Que alguém, ou algum roteiro, 'garanta' que o caminho será o certo? O 'certo' na sua opinião, é claro."
-"(10 segundo de pausa) Eu não sei. Eu tô feliz agora com essa conversa maluca com você. É engraçado isso... (risos) Você realmente nesceu para ser psicóloga."
-(risos) "Obrigada, mas acredite, nesta nossa conversa informal, utilizei mais coisas que aprendi na vida do que na faculdade."
-"Por isso eu gosto de você, sua menina feliz!"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quando o psiquiatra pirou...

O propósito deste texto foi apresentar de forma sucinta e criativa algumas das questões abordadas ao longo do semestre 2011.2 na disciplina Diagnóstico Psiquiátrico do IX semestre do curso de Psicologia da Faculdade Juvêncio Terra, sob a orientação do professor Antônio Moura.

Rferência principal: MOURA, Antonio. Linhas da Referência em Psicopatologia. Salvador: CIAN Gráfica e Editora, 2007.

Um quase teatro, uma estória quase real.
Qualquer semelhança...
É isso mesmo que você pensou!

01 Narrador e 06 Personagens: Psiquiatra que pira, Novo Psiquiatra, 3 profissionais da equipe de saúde mental e louco.
 
Recursos materiais: 5 jalecos, 2 colchonetes (ou similares), diversas caixas de remédios, uma vela e fósforo, CID 10, DSM4, Pranchetas, notebook e caixa de som.

Execução: 4 Narrações e 3 Cenas

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Introdução musical - Flauta nordestina
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Narração 1:

Numa cidade pacata
Zelosa pela moral e bons costumes
Um hospital psiquiátrico habitava.

Pequeno número de leitos e tempo de internação reduzida era uma norma
E apesar de suas grades
Tentava adequar-se a uma tal... uma suposta Reforma.

Havia ali uma equipe dita multidisciplinar
Que dividiam os seus saberes
Mas sabiam bem à quem deveriam por fim chamar.

(1ª Cena)

Louca: Socorro! Eles estão vindo me buscar! Ahhhhhhhhhhhhh!!! Tirem eles daqui!!

1ª técnica: O que está acontecendo aqui, que gritaria louca é essa?

Louca: Todos serão condenados! Eu disse pra vocês não tocarem a rainha, mas vocês não me ouviram, vocês não me ouviram!

2ª técnica: A senhora está descompensada D. Maria, será que anda cuspindo os comprimidos novamente?

Louca: (Risada escandalosa)

3ª técnica: Ela precisa ser medicada com urgência.

Louca: O céu é azul! Mas as vezes é negro!! (Grito) Ele tinha que ser sempre azul (voz de medo)

2ª técnica: Teremos que chamá-lo.

1ª técnica: Chame o psiquiatra!!!

Em silêncio a cena continua como se a louca continuasse “aos berros” e as 2 técnicas tentando acalmá-la. A outra técnica traz o psiquiatra e o som volta.

Louca: (Risada estridente)

Psiquiatra: Não há motivos para risadas!

Louca: Coitados!! Bastardos!! Coidados!! Só os meus filhos sobreviverão, vocês vão chorar quando eles chegarem, mas os meus filhos, eles não, eles não vão!! (bastante gesticulação com as mãos, começa a sussurrar e ficar com o tronco bem agitado).

(Com uma das mãos apontadas para a paciente o psiquiatra medica. Ao som da música "O Guarani" de Carlos Gomes - Introdução da "Voz do Brasil")

Psiquiatra: HALDOL!!!

A louca fica paralizada, contida, sedada. As técnicas ajeitam a paciente, enquanto o Dr. Sai e fica em cena com ar pensativo, olhando seus livros, sua bulas, seus remédio. Nisso acontece a 2ª narração.

Narração 2:

Mas o psiquiatra ele também tem nome
Ele também é um homem, é sim senhor!
O Sr. João José Antônio Pinto Costa Salvador.

Filho e neto de médico, abandonou cedo o sonho de ser artista
Às vezes, fazia atendimentos gratuitos
Alimentando o seu pseudo-espírito altruísta.

Há 30 anos se encontrava diariamente com a loucura alheia
Na busca de calar a própria.
Envolto numa segura teia, fazia das Bulas as suas grandes sócias.

Um dia deixou escapar o sentido
E não encontrou o caminho de volta
Foi quando o seu “Eu” foi perdido.

(2ª Cena)

Psiquiatra: Risos Imotivados, vivências deliróides, agitação psicomotora, alterações cognitivas, Embotamento afetivo, di-las-ce-ra-men-to do EU!!!

2ª técnica: Dr., o que há com o senhor??

Psiquiatra: Todas as respostas!! Para todos os sintomas! Pode ser neurose, pode ser psicose. Todo mundo tá com depressão. Não me enche os pacová!! Esquizo-frenia! Síndromes paranóides! Transtornos do humor e da personalidade! Ah, deixa a pessoa ter a personalidade que ela quiser!

3ª técnica: É claro e evidente que ele está tendo um surto, você que é psicóloga faça algo (volta-se à 1ª técnica).

1ª técnica: Eu vou fazer sim, vou avisar o diretor do hospital!! (sai)

Psiquiatra: Retardados Mentais!! F03, F19, F20. Um histeria de vez em quando faz bem! Mas eu não sei de onde vem nem pra onde vai tudo isso... Ahhhh!!

1ª técnica (retornando): Pronto! Já falei com o diretor, ele já informou o secretário de saúde, que já ligou para o prefeito, que imediatamente entrou em contato com o governador, eles já estão nos enviando um novo psiquiatra.

Narração 3:

A rapidez deste envio, é coisa de contador de história
Mas é fato que há um medo (pelo e do poder)
De não se ter quem ‘controle’ a escória.

A equipe, pobrezinha, tremia de aflição
Aguardavam o novo “doutor”
A quem não hesitariam em também pedir a sua benção.

(3ª Cena)

Em silêncio, a equipe está ajoelhada em volta do psiquiatra agitado, tentando acalmá-lo. A psiquiatra nova entra, de jaleco e salto alto, estende a mão para a equipe que de baixo a recebem quase beijando-lhe os pés. Num gesto com as mãos, pede para que abram espaço, para ver o psiquiatra enlouquecido.

Psiquiatra Louco: Lá vem mais uma cheia de amarras. Eu também já estive aí em cima.(Risada) Mas logo você também entenderá, que o espírito caga! Caga! Ele caga! Eles defecam sobre nós, e nós comemos com prazer toda essa merda...

(Ao som da música "O Guarani" de Carlos Gomes - Introdução da "Voz do Brasil")

Psiquiatra Nova: HALDOLL!!

O psiquiatra fica paralizado, contido, sedado. As técnicas o ajeitam na suposta maca. Todos os personagens sentam-se em silêncio atrás dos corpos caídos do psiquiatra louco e do louco da primeira cena. Uma das técnicas coloca uma vela entre os dois corpos. Enquanto isso, a 4ª e última narração acontece.

Narração 4:

Estereótipos à parte, as práticas antigas ainda se mantêm, repletas de palavras-de-ordem
Certo que, com as novas “capas” de hoje
Mas com os mesmos desejos de ontem.

Segregação e exclusão, “Afaste de mim este louco!”
“A culpa é da serotonina!!”
“Deixe-o sedado pelo menos mais um pouco”.

O hospício está em nós, nas vivências de nosso sobreviver
Um outro encontro, um outro fazer, é possível?
Sabidos, oh Sabidos! A quem serve o seu saber?

Que atire a primeira pedra, aquele que nunca delirou
Quem nunca aprendeu, enquanto ensinou
Ou que também não teve medo, ou um afeto qualquer, quando o psiquiatra pirou.
  
Canção sobre morte toca enquanto a equipe vela o corpo do psiquiatra louco como se este estivesse morto.

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Final musical - Flauta nordestina do início / Agradecimentos à platéia
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Um toc para você

Não me leve tão a mal

Isso é um ritual

Que eu não posso controlar...

Alguns medos obsessivos

Outros impulsos compulsivos

Mas está tudo bem!  não precisa me tocar...

Não me leve tão a mal

Isso é um ritual

Sei que já disse isso, mas é sempre bom lembrar!

Denise Viana * Psico-Poeta

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Melindre...

"Lidar com gente não é fácil..." esse clichê, ou clássico das verdades mundiais, tem sido diariamente confirmado em minhas relações familiares, acadêmicas e sociais. Relacionar-se com uma pessoa ou com um grupo de pessoas envolve sempre um limiar do que pode ou não pode ser dito ou feito. O cuidado é algo constante. Nunca se sabe o nível de melindre dos corpos alheios. As vezes, nem do próprio. Mas me divirto muito na vida, com tudo que encontro... Até com esse bico que você faz quando me vê...

Denise Viana * Psico-Poeta

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quando o tempo cronológico já não é o suficiente

Já não se consegue controlar
E as aflições extrapolam os limites dos pensamentos
E o corpo grita ferozmente e clama pelo tempo, pede pra parar

Parece sentir os segundos
Mas as horas se vão descontroladamente
Quer culpar os ponteiros, o relógio, as estações, a vida

Caminha em passos lentos
Come e bebe daquilo que te oferecem
Desconhece dos venenos escondidos atrás dos sorrisos

Tudo parece se dissolver
Nenhuma resposta é satisfatória
Nem mesmo as perguntas já lhe fazem algum sentido

Vai então ao rumo do vento
Tenta esquecer-se do corpo e dos pensamentos
Restam flores no solo úbere, e sementes pedindo para serem regadas.


Denise Viana * Psico-Poeta

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Um clichê chamado solidão

trata-se de uma solidão que está sempre em companhia
um estar-só, embora nunca esteja sozinho...


um sentimento que não vem com o barulho da chuva
nem com o silêncio das manhãs de domingo
ou com uma aparente tarde vazia

mas de algum lugar relutante dentro de si
atravessado por desilusões, medos e fantasias que nunca contou sequer para si próprio
sem querer aceitar a autoria dos pensamentos indecorosos

rejeitou-se e simulou por muito tempo uma saúde que não era sua
mas que roubara dos livros, de autores e personagens que, coincidência ou não,
conheciam intimamente a história de sua vida

ontem, quando se sentiu só,
lembrou-se de quantos poemas ponderando (sobre) a solidão desprezara
colocando-os na infame caixinha de clichês

viu então
escritas em seu corpo, delicadas marcas de um lugar-comum

e a solidão era apenas mais uma.

Denise Viana * Psico-Poeta